Este ano, a 24ª Visita Vitivinícola da APH vai passar-se na região dos Vinhos Verdes, que por ser demasiado extensa, nunca é visitada na íntegra. Desta vez, destacamos as sub-regiões banhadas pelo rio Tâmega, Basto e Amarante.

A qualidade dos vinhos de Basto é desde tempos longínquos considerada das melhores, a par das de Monção e Lima, com predominância dos tintos, mas com ancestralidade também nos brancos.

Para além da característica edafoclimática da bacia do Tâmega, a variabilidade de castas autóctones tintas é notória (Bogalhal, Branjo, Padeiro de Basto, Rabo de Anho, Sezão, Sousão Galego, Sousão Vermelho). Entre as brancas predominava a Pedernã (sin. Arinto) e a Batoca em Basto, e o Azal em Amarante. Relata Júlio Pinho (1993) que a casta Pedernã ganhou em Amarante o sinónimo de Asal Espanhol pelo facto de que a única casta branca cultivada nesse concelho era o Asal e, quando a linha férrea do Tâmega passou a ligar Basto a Amarante, veio a branca Pedernã de Basto, mas como vinha «de norte» era já considerada espanhola — daí o sinónimo de Asal Espanhol.

No que se refere à condução da vinha tradicional de Basto, predominam as ramadas altas, os arjoados e bardos altos com poda de vara corrida. Nesta sub-região, ainda se pode constatar a existência de um sistema tradicional de condução, que são as ramadas «amovíveis», isto é, grandes extensões de ramada que ocupam toda a parcela, e que são afastadas ou aproximadas do solo através de paus: baixam-nas para podar e vindimar e depois elevam-nas para cultivar o terreno. Em Amarante, a vinha é tradicionalmente conduzida em ramadas inclinadas contínuas.

Como em toda a região dos Vinhos Verdes, a vinha contínua cresce exponencialmente em cordões, que são mais ergonómicos e mecanizáveis, bem como com outras castas consideradas melhoradoras das massas vínicas.

A maior parte da região assenta em formações graníticas, com exceção de duas estreitas faixas que a atravessam no sentido NW-SE (formações carboníferas e de lousa do período siluriano e formações de xisto do período arcaico). O solo é pouco profundo, de textura arenosa a franco-arenosa, ácido e pobre em fósforo; a baixa fertilidade original dos solos é compensada pelo controlo do relevo (socalcos) e incorporações intensivas e regulares de matéria orgânica. Em Basto, há muita rocha mãe granítica à superfície, onde o solo arável foi conquistado arduamente, pelo que nestas circunstâncias, os viticultores referem com frequência a «vinha das fragas».

A 24.ª Visita Vitivinícola da APH está prevista para os próximos dias 26, 27 e 28 de junho, em pleno período vegetativo da vinha, que marcará a verdejante paisagem local.