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Coentro – aromas na mesa e no jardim

O coentro (Coriandrum sativum L.) foi trazido para a Europa pelos Romanos e é atualmente uma espécie aromática indispensável na cozinha mediterrânica. Descubra como cultivar, quando e como colher.

De entre as plantas aromáticas e medicinais (PAM), a salsa e o coentro são as mais utilizadas na cozinha mediterrânica. Se há uns anos atrás o raminho de salsa e de coentro era um complemento gratuito de qualquer compra de hortaliças no mercado, hoje em dia isso já não acontece. Dado tratarem-se de plantas de fácil cultivo, quer num cantinho do jardim, quer num vaso ou floreira, aqui deixamos algumas dicas para ter salsa e coentro sempre frescos e ao dispor para aromatizar ou decorar um prato de comida tipicamente mediterrânica.

As plantas
A salsa (Petroselinum crispum (Mill.) A.W. Hill., família das Apiáceas) era considerada sagrada para os gregos que a utilizavam para homenagear os vencedores dos Jogos Ístmicos e como adorno de túmulos. Os romanos foram os primeiros a utilizar a salsa como alimento ou condimento para as refeições. O coentro (Coriandrum sativum L., família das Apiáceas) já era mencionado na Bíblia, no Antigo Testamento, tendo sido trazido para a Europa pelos romanos que utilizavam as sementes secas, conjuntamente com cominhos e vinagre para conservar a carne. Na Idade Média, as sementes eram utilizadas na produção de uma bebida fermentada, semelhante à cerveja.
As plantas de salsa e de coentro podem atingir entre 60-80 cm de altura, em condições ótimas de crescimento e sem cortes. As folhas de salsa são grandes e sucessivamente recortadas, com bordos serrados e ondulados. Há variedades que têm folhas frisadas, mais utilizadas na decoração de pratos. As folhas do coentro são muito recortadas, sendo as superiores mais finamente recortadas (até lineares) e têm uma cor verde mais pálida. As sementes da salsa são de reduzida dimensão e em forma de foice, enquanto as do coentro são esféricas, com nervuras e de cor castanha pálida.

Onde e quando cultivar
A salsa e o coentro crescem bem em quase todo o tipo de solo, preferindo os solos ligeiros, bem drenados e com algum teor de matéria orgânica. Podem ser cultivados durante todo o ano, embora a salsa seja uma cultura de estação fresca, enquanto o coentro é mais tolerante a temperaturas mais elevadas.

Como cultivar
A salsa e o coentro podem ser semeados diretamente no local onde vão ser produzidos, de preferência em linhas distanciadas entre si de 20-30 cm e 10-15 cm entre as plantas na linha. A profundidade da sementeira é proporcional ao tamanho da semente, ou seja, é tanto maior quanto maior for a semente, por isso a semente da salsa deve ficar a uma profundidade de cerca de 0,5 cm e a do coentro a cerca de 1,0 cm. A semente da salsa é difícil de germinar, pelo que se recomenda humidificá-la antes da sementeira, para acelerar a sua emergência. As sementes de salsa germinam passados 20 a 40 dias, enquanto as de coentro ao fim de 15 dias.
A rega é benéfica para ambas as plantas., devendo regar-se nas horas mais frescas do dia, não esquecendo que a quantidade de água deverá aumentar à medida que a planta se desenvolve.
As hastes florais devem ser cortadas logo que surjam, para favorecer a produção de folhas por um período mais longo.

Quando e como colher
O ciclo cultural do coentro varia entre 90 a 120 dias, mas a colheita das folhas pode iniciar-se 50 a 60 dias após sementeira. A salsa tem um ciclo mais longo, iniciando-se a colheita de folhas cerca de 120 dias após sementeira. A colheita das folhas de salsa e coentro deve ser feita de forma escalonada, até que a planta comece a florir, pois é a partir desta altura que o sabor e o aroma decrescem de intensidade. A colheita deve efetuar-se no período da manhã, porque a concentração de óleos essenciais é mais elevada e são eles os responsáveis pelo aroma e sabor destas plantas.

Excerto de:
FERREIRA, M.E. 2016. III. Como cultivar? Plantas aromáticas e medicinais.
Salsa e coentro – aromas na mesa e no jardim. In M.E. Ferreira e G. Barreiro (coord.), Mãos à horta, Publindústria:154-156 (ISBN Papel: 978-989-723-196-4 e E-book: 978-989-723-197-1).

Maria Elvira Ferreira (INIAV)
Comissão Científica do CNPAM2022

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